sexta-feira, 7 de abril de 2017

A mulher e o mar

Pensei muitas vezes antes de começar esse texto. Em parte porque ando pouco inspirada, em parte porque minha mente anda bastante cansada pra pensar em qualquer coisa. Mas resolvi escrever porque o fato ficou encharcando minha consciência e lá vai alguma coisa de modo breve.
Estava eu no mar, fazendo um dos execícios que sempre faço pra aliviar os males da depressão. De repente olhei para o lado e vi uma mulher lentamente entrando no mar. Fechava os olhos, soltava os cabelos e tinha uma expressão de profunda paz. Confesso que senti uma certa inveja daquela mulher, parecia tão feliz, tão livre de qualquer tormento que pudesse incomodar seu banho. E eu lá com minhas agonias e perturbações cotidianas fiquei a olhá-la. A sua expressão jamais me abandonará. Quando eu morrer quero ter aquela expressão feliz, quando alguém olhará pra mim com olhos de saudade, com aquela reação vaga e insegura da solidão de quem fica.
Mas a mulher era feliz, passou ainda um tempo no mar, brincando com as algas e ondas; se era triste - talvez fosse- naquele dia não dava pra ver.
Não esqueço que fiquei a olhá-la com fixidez, com medo que me visse e perdesse a espontaneidade dos vivos.
Saí do mar com uma vontade de ser aquela mulher, de saber o que é ser feliz novamente, de saber de saúde, paz, descanso, sossego, qualidades que estão por aí nesse mundo, mas que pra mim são como as ondas que fui deixando pra trás naquele dia bonito.

quinta-feira, 30 de março de 2017

O rapaz que calculava

Jamais esqueci a expressão do rapaz que calculava em uma das mesas de uma biblioteca. Aquele olhar perdido, as mãos sob o queixo. Parecia longe.
De repente uma risada alta e o lápis fechando uma equação. Feliz da vida aquele moço que calculava.
Naquele momento nada mais importava, era como um poeta limando a música de seus versos.
Calculava e ia esquecendo do mundo, até de si mesmo. Eu sempre soube como é bom ter a consciência voltada a um projeto. Por enquanto não sei mais como se faz isso. Tem sido tudo tão aleatório. Mas o rapaz calculava, tinha nas mãos uma calculadora, a qual ele consultava inquieto quando alguma função matemática não queria se deixar descobrir.
Estava tão absorto que não percebia meu olhar de pintor. Queria descobri-lo, conversar, ver nas matrizes daqueles olhos o enigma principal dos seus cálculos.
Não teve jeito, de repente ele recolheu os papeis repletos de números e letras, seus livros - como uma biblioteca de títulos insondáveis, e foi embora, enquanto eu fiquei a calcular a engenharia dos seus passos.

Cães de rua

Esta tarde passei perto de um deles. Estava lá, quase sem fôlego, com a língua pra fora, pedindo uma bacia d'água a quem quer que fosse. Fora este, havia mais alguns que logo chegaram pra beber da água que uma senhora, carregando dois vira-latas pela corrente, resolveu colocar pra eles.
Chegaram perto de mim para farejar os pães que eu conduzia numa sacola. Logo os coloquei pra correr, como Rubião fazia com Quincas Borba quando este estava muito arredio.
Fiquei ainda a olhá-los, na sua liberdade de correr pelas ruas, como que procurando algo, com um vagar delirante de alguém que não tem consciência de si.
Saíram em bando, ora juntos, ora afastados, farejando os lixos, as saias das mulheres, numa rinha uns com os outros pelos melhores pedaços de lixo. Uma desordem só.
Outro dia vi um desses na minha rua, arquejava, me olhava com aquele sentimento de dor. Com aquele ar de desdém por tudo que não fosse diminuir aquele sofrimento. Eu quis até fazer algo por ele, mas minhas ocupações...
No dia seguinte estava só o corpo, a alma já havia achado algum trem de partida, pra onde não me pergunte.
Fiquei com uma dívida com aquele bichinho. Se o tivesse recolhido, mesmo os trapos, poderia ter livrado minha consciência do peso que hoje sinto. A culpa sempre nos faz fracos!

domingo, 5 de fevereiro de 2017

O menino e o peixe

- Eu vi ele
- Eu vi o peixe
Dez anos depois
- Eu o vi
- O quê
- Não lembro mais...

sábado, 31 de dezembro de 2016

Ano Novo

Hoje é o último dia de 2016!
Esse foi um ano muito difícil pra mim, muito terrível mesmo
No qual sofri todos os dias horrores, motivados pela depressão
Saí literalmente do chão em que estava no inicio de 2016
Para ao final do ano conseguir ocupar uma cama, uma rede...
Na virada de 2016 passei com meu pai (companheiro fiel) em casa de pijama pra dormir às 19h
Horário que sempre dormia por causa dos cinco medicamentos que tomava,
Depois fiquei esperando, deitada no chão, a passagem da meia noite.
Na virada de 2017 já tive uma evolução, vou pra igreja, depois jantar com a família da esposa do meu pai
Talvez vá dormir lá pra 1h da madrugada.
Profetizo que na virada de 2018 estarei curada desta longa doença, e possa ir à praia ver os fogos de artifício
Tão belos, os quais sempre gostei de contemplar...
Ou em alguma outra parte do mundo, exercendo meu direito de ir e vir
Exercitando minha liberdade de viver!
E vendo meu pai curtir sua liberdade também!
Assim será!



segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

A tal depressão

Hoje eu só queria que um decreto divino desse cabo dessa depressão. É uma doença difícil de se ter, pois tende a drenar todas as forças da pessoa pouco a pouco, até você ficar sem ânimo para viver. A pessoa não quer nada, não se encanta com coisa alguma, pensa muita bobagem e fica em geral muito tempo deitada, pensando mais besteira ainda.
Sinceramente, não queria estar passando por isso, pois tenho tantos planos no meu espírito que têm sido paralisados por esta doença. Inclusive o plano de escrever coisas diversas sobre o mundo, sobre a vida e por ora estou escrevendo o que sinto, como me pediu minha psiquiatra.
O que sinto é uma enorme decepção comigo mesma. Como posso ter me permitido chegar a uma condição dessa? Estou triste, muito triste. Não queria estar vivendo esse caos, mas estou aqui mergulhada nele.
Eu queria pensar positivo, como todos me pedem, mas sou assaltada por uma onda de negatividade avassaladora. Enquanto escrevo, mil pensamentos se passam e sinto uma aflição porque não sei como será o dia de amanhã. Já sinto medo desde já. Muita gente diz (inclusive meu pai todos os dias) que isso é preguiça, falta do que fazer, que eu não quero levantar a cabeça. Como posso viver assim? Contudo quero força, preciso de ânimo para seguir, mesmo que arrastada pelas circunstâncias, pelos mares revoltos, pela solidão absurda que me consome todo dia.
Mas se tem uma coisa que não cabe em meu vocabulário é a palavra desistir. Sou de uma família de nordestinos, pessoas muito fortes e determinadas em suas ações. Quero me espelhar nesses exemplos, inclusive no de meu pai (que, com muita garra, já me acompanha faz um ano) para conseguir superar essa nuvem negra, de onde nem chove, nem faz sol.  

domingo, 18 de dezembro de 2016

Minha irmã Nanda

Nada mais apropriado para começar postagens positivas que falar sobre minha irmã. Adoro minha irmã, mana, como costumamos nos chamar. Uma pessoa incrível, de uma vivacidade incomparável. Vive me mandando postagens engraçadas. Mesmo nos meus dias mais sombrios, consegue me fazer um riso no canto da boca. Penso nela todos os dias, está longe, em Portugal, mas sempre estamos nos falando via WhatsApp.
Vez ou outra está me aconselhando sobre coisas diversas. Todo dia peço sua opinião sobre alguns passos, pois sei que ela vai olhar com disposição e vigor que logo arrumam uma solução eficaz ao problema. 
Senti tanto quando ela me anunciou que iria embora pra Portugal. Foi uma dor tão grande (ainda falando em dor, aiai...) que até hoje sinto os seus reflexos em minha saúde. Esta nunca foi lá essas coisas, sou muito sentimental e tudo tem um aspecto mais ampliado que pra qualquer outra pessoa.
Fernanda é linda, cheia de vida, uma alegria em pessoa. Tenho guardado dela aquele sorriso e aquela força quando diz: "vai lá. vai dar tudo certo" Isso me ajuda tanto, melhora meu humor, me faz acreditar que é possível ultrapassar determinadas fronteiras antes monstruosas.
Quero algum dia encontrá-la novamente e dar aquele abraço cheio de saudade e conforto. Quero dizer pra ela o quanto eu a amo e adorei aquela postagem que ela me enviou de uma macaca acordando e dizendo "sinto feia". hehehe
Estou com uma saudade daquelas, mas por enquanto vamos trocando zaps e fotos e vídeos que vão me adicionando mais felicidade, mais alento, mais luz ao meu viver. 
Obrigada, irmã! 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Às vezes o mar parece um leque
A contar segredos pro céu

terça-feira, 16 de junho de 2015

Quando a gente se acostuma ao silêncio, andar em shopping é como ouvir uma péssima banda de rock no último volume.
Sem falar naquela artificialidade latente. Nas luzes fluorescentes que ofuscam a visão. Os sons misturados em cada loja que se entra disputam qual grito chama mais a atenção dos clientes. As pessoas indo de um lado pro outro segurando as crianças que querem correr pra comer o último combo do McDonald's, ou choram dizendo ter que comprar alguma coisa. Uns sentam nos bancos e ficam olhando pros outros, como num zoológico. A maioria, depois de trocentas horas com a senha do prato na mão, acha na praça da alimentação algumas colheradas de prazer provisório. Depois atravessam as cancelas do estacionamento pra explorar outras cavernas ou pra anestesia de outras atrações dominicais. Nossa! Que mundo é esse que construímos?
Um vaga-lume no meu quarto ontem à noite.
Apago a lâmpada, me deito e olho pro teto.
Imaginem o susto quando vejo aquela luz amarela pulsando em vários pontos do teto, parecendo uma estrela.
Um raio externo refletido? Uma ilusão de ótica? Alucinação? Um duende? Um ET minúsculo sondando o espaço? Um momento de loucura? Talvez!
Corro pra ligar a lâmpada já pensando em pedir socorro psiquiátrico
Vejo enfim o bichinho bem pequenino talvez assustado com meu espanto
Volto pra cama mais calma, como se o mundo fosse mais real por fora.
Gosto de tentar perceber o sentido oculto de todas as experiências...
O que será que ele quis me dizer?